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Herdeiros de La Muerte: Capítulo 2 - Tem Alguém na Minha Cola

  • Foto do escritor: kerberuspublishero
    kerberuspublishero
  • 7 de mar.
  • 5 min de leitura

Já fazia uma semana da visita de mi madre, minha vida aparentemente havia voltado à normalidade, com exceção de que desde aquele dia, sempre que eu estava na rua,  sentia como se estivesse sendo observado.

Eu estava chegando próximo à entrada da escola que estudava quando senti como se a mão de alguém tivesse tentado me puxar para longe dali.

Eu inutilmente me virava procurando quem tentava me tocar, mas nada estava ali.

Eu passei toda a manhã de aula tentando entender que sensação estranha era essa que não me abandonava, mas eu mentia para mim mesmo que aquilo não passava de coisa da minha cabeça.

Quando as aulas chegavam ao fim, eu voltava para a rua e aquele maldito pressentimento retornava.

Eu sabia bem que não tinha autorização legal para usar de numinas, afinal, eu não possuía uma licença que me autorizasse, entretanto, eu precisava fazer algo.

Eu me recordava que durante meus primeiros anos estudando animologia na escola, me foi me ensinado que eu como um assombrado poderia enxergar o imaterial caso usasse do meu conhecimento sobre o princípio da interação.

Continuando meu caminho rotineiro, sem dar na vista, eu puxei e soltei o ar uma vez, fiz novamente, e na terceira vez, eu fechei meus olhos e ao abrí-los, eles estavam acinzentados como uma nuvem carregada em um dia chuvoso.

Eu senti algo se aproximando novamente e me virei para ver o que era meu perseguidor. Foi aí que me assustei. Não era um perseguidor, mas sim uma perseguidora. Era aquela mesma jovem daquele dia, cabelo escuro, mecha rosa e jaqueta de couro.

Ao vê-la, peguei em sua mão, apertei forte e a interroguei:

— Por que você não sai da minha cola, encosto?

Ela parou e sorriu.

— Parece que você não é um zé mané qualquer, não é mesmo? — declarou a desaforada.

Antes que ela desse continuidade, ela desmaterializou seu braço e se soltou do meu aperto.

— Você é o tal do Santiago, não é?

Concordei com a cabeça.

— E você seria? — a questionei

— Sou a me aperte de novo e eu te mato. — ela massageou o local que eu estava apertando. — Mas pode me chamar de Rebeca.

Cruzei os braços esperando uma explicação, porém ela se fez de doida.

— Acho que você me deve uma explicação, não acha?

— Eu? Acho que não. Por que estaria lhe devendo algo? Na verdade, acho que você que me deve, afinal, usar numinas sem a licença apropriada é ilegal, ainda mais em vias públicas. Que tal deixarmos apenas por isso mesmo?

Levantei uma sobrancelha e disparei:

— Você por acaso tem uma licença? Ou apenas quer pagar de falsa moralista?

Esperei uma resposta à altura da desaforada, mas ela apenas desviou o olhar e se fez de desentendida.

— Imaginei. Só para de me perseguir e então deixamos por isso mesmo, pode ser?

— Acho que eu posso lhe ajudar como pedido de desculpas, que tal?

Me virei e segui meu caminho.

— Eu só quero paz, me deixe quieto que tá tudo bem.

— Não, por favor. Espera! Eu sou que nem você.

Continuei seguindo em frente.

— Assombrados de grau 1 como eu tem aos montes no universo.

Ela correu em minha direção e me puxou com tudo quase me desequilibrando.

— Quer me escutar?! — me apoiei na parede e antes de questioná-la, ela foi direto ao ponto. — Eu também cheguei a receber a visita de la madre de todos nosotros.

Parei por um momento tentando entender o que ela queria com tudo aquilo.

— Tá, mas e daí? Eu só tive um sonho estranho, nada mais que isso.

Ela cerrou os dentes.

— Parece que você realmente é um zé mané como eu pensava. Devo só estar perdendo meu tempo com você, não é mesmo? Vou indo nessa.

Ela deu as costas para mim e fez menção de ir embora. Eu podia só seguir minha vida, mas algo me dizia que eu não teria outra oportunidade de descobrir mais sobre aquele sonho esquisito.

— Espera! — ela parou e virou a cabeça, mas não o corpo. — Que que tem aquele sonho esquisito?

Ela enfim virou todo o corpo.

— O que foi? Agora ficou curioso, é? — tirou uma com a minha cara.

Fiquei sério e fui direto ao ponto:

— Sem piadinha, por favor. Só me diz que porra foi aquele sonho que eu tive, pode ser?

Rebeca expôs em seu rosto um maldito sorriso de quem claramente sabe mais que eu e que vai se aproveitar disso.

— Aqui não, não posso falar sobre o assunto a céu aberto. Mas não se preocupe, teremos outras oportunidades.

Fiz uma cara de alguém indignado ansiando por respostas que não viriam tão cedo.

— Mas não se preocupe, o que houve com você foi algo bom. Você foi escolhido pela madre de todos nosotros. Você só precisa saber que você é um de nós agora. Um corpo fechado. E que infelizmente, agora você será procurado por muitos que não gostam de pessoas como nós.

Meus olhos se abriram como nunca. Eu, uma pessoa que sempre fui alheia às questões do mundo que apenas queria levar minha vida como uma pessoa insignificante que facilmente passaria despercebido pela multidão acabava de se meter numa fria.

— Espera, espera só um momento. Eu não pedi por isso. Por que raios me envolveram nessa confusão toda?

Ela veio em minha direção e colocou um cartão em meu bolso.

— Nenhum de nós pediu por isso, mas não quer dizer que isso irá nos isentar da treta que rola no submundo, não é mesmo?

Após colocar o cartão em meu bolso, Rebeca deu as costas e quando fiz menção para impedí-la, ela se desmaterializou na minha frente.

— Que ótimo, fudido e sem respostas.

Respirei fundo e soltei o ar pesadamente.

Eu não tinha muito o que fazer além de esperar a nova visita daquela menina estranha.

Dei as costas e após alguns poucos passos sinto novamente aquela maldita sensação de que alguém estava me seguindo.

VIrei já esperando ser a Rebeca trazendo respostas, mas não sem antes tirar uma com a cara dela.

— Então quer dizer que enfim vai me dizer o que ganhei por ser um desses tais corpos fechado?

Assim que me virei, tomei um tremendo socão na cara que me arremessou para longe.

— Nem precisei perguntar, você mesmo já me respondeu!

Eu mal conseguia enxergar depois daquele soco e o sol forte na minha cara não me ajudou, mas na minha frente estava um puta armário. Eu só sabia de uma coisa, eu estava fudido.


~Fim do Capítulo 2~

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1 comentário

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Yarles
09 de mar.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Ooooh massa demais

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