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As Malditas Terras de Santa Cruz: Capítulo 2 - Seja Bem-vinda ao Instituto

  • Foto do escritor: kerberuspublishero
    kerberuspublishero
  • 20 de fev.
  • 5 min de leitura

Giovanna Taylor-Johnson


Distrito Belas Flores, RB, Santa Cruz

Condomínio Leão Dourado

06:25


Durante mais uma manhã cotidiana no Condomínio Leão Dourado…

GIOVAAAAANNA!!!

Sim, essa garota mencionada estar atrasada é algo normal.

A criança descia as escadas da suntuosa casa com seu pijama de vaca e ia até a cozinha ao encontro de seu pai.

— O que foi, papai? Já é seis e meia? — ela lembrava de seu implante neural e mexeu a mão no nada enquanto esfregava seu olho para ver a hora. — Ainda tenho cinco minutos para dormir. Volto já.

— Pare já com isso, vá tomar banho e venha para a mesa comer. Você está atrasada por 25 minutos.

A menina fazia menção de fugir e o pai pegou-a e a empurrou para o banheiro.


De volta à sala e já arrumada a garota estava com seu cabelo loiro liso na altura dos ombros, uma boina verde, uma camisa branca e vestido sem mangas com estampa de ursinhos por cima e um tênis.

— Tô pronta. Mas vem cá, por que eu tenho que acordar tão cedo agora? — fala pequena já comendo seu café da manhã.

O mais velho já estava arrumando a bolsa da filha e pegando as chaves do carro.

— Quer mesmo saber? Pensei que soubesse. — a criança parecia confusa. — Você tem 7 anos e graças à sua exibição na última sexta, eu fui chamado, pois queriam lhe pular para o sexto ano. Não tive escolha, mas não tinha mais vaga de tarde. Agora vamos

Thelonius abria a porta e já ia saindo de casa, seguido por Giovanna que levava em suas mãos dois pães.

Já no carro, a menor continuava a comer e o pai a observava pelo retrovisor.

— Haja fome, menina. — de boca cheia, a menor tentava responder. — Não fale de boca cheia, termine de comer primeiro.

Antes de sair do condomínio e de ir até a escola, o carro passou por uma casa onde ao seu redor haviam faixas amarelas da polícia isolando a área e diversos curiosos na região. A criança ficava assustada, mas o pai a acalmava.

Já na portaria, antes de sair de lá, Thelonius chamava o porteiro.

— Carlson, o que houve naquela casa?

— Alguém invadiu aquela casa e matou a filha do Diretor do Grupo Ferris. A polícia ainda não divulgou nada.

O Senhor Taylor-Johnson agradeceu a informação e seguiu seu caminho.



Distrito Belas Flores, RB, Santa Cruz

Escola Fundamental Aleksei Volkov

08:25


O carro estacionava em frente a escola e a menina descia de imediato.

— Corre lá pra dentro, você está tão atrasada que perdeu o primeiro horário todo e o segundo logo vai acabar.

Entrando às pressas na escola, a jovem conseguiu por pouco justificar que não sabia do novo horário.

Entrando na sala de fininho sem saber bem que aula era aquela, Giovanna apenas se sentou em uma cadeira vazia e tentou falar com os alunos mais velhos, mas ninguém dava atenção para ela por estarem respondendo algumas questões em uma folha.

A menor se sentia afugentada entre tantos pré-adolescentes, mas algo chamava a sua atenção. Havia uma esfera leitosa com uma bola escura em seu centro e um círculo de cor avermelhada em volta dele que se movia como se enxergasse toda a sala.

Sem saber o que fazer, a criança foi até seu professor que estava de cabeça baixa na sua mesa.

— É… Professor… O que é pra fazer na aula de hoje? — a pequena falava ainda meio tímida sem saber como reagir aquela turma nova.

O homem de cabelos castanhos quase ruivos levantou sua cabeça, pegou seu óculos e coçou sua barba em seu queixo.

— Oi… Você que é a aluna nova? — o mais velho pisca os olhos algumas vezes até acordar e olha a hora. — Você está meio atrasada!

Ainda retraída, a menina buscava um apoio e acabou olhando para a esfera flutuando. O professor ficou confuso com a ação da menina e a questionou:

— Para onde está olhando, criança?

A menina já cabisbaixa respondeu:

— Para aquele treco ali flutuando. — apontou para a direção o objeto que flutuava.

O mais velho arregalou os olhos e ficou sem saber ao certo como isso era possível.

— Você consegue ver aquele olho logo ali?

A menina concordou com a cabeça sem saber se o que havia feito era errado.

O homem engolia em seco, mas antes que pudesse dizer algo, a sala era invadida por uma senhora de mais idade.

— Senhor Ferreira, estão me ligando de sua casa. O Senhor poderia vir?

— Já tô indo Mirtes. — voltando novamente o olhar para a criança. — Preciso falar com o seu responsável amanhã, tudo bem para você?

— Giovanna assentia com medo de ter feito algo errado.

O professor deixou a sala e não voltou a tempo de finalizar sua aula, porém as aulas da turma não foram canceladas.



Distrito Belas Flores, RB, Santa Cruz

Escola Fundamental Aleksei Volkov

11:30


O horário de aula enfim havia sido terminado.

A pobre Giovanna estava com medo de seu pai brigar por ser chamado até a escola mais uma vez, o medo era tanto que ela mal havia interagido com os seus colegas de turma e outros alunos da escola. Ela havia passado o dia quase sem falar, o máximo que fez foi prestar um pouco de atenção nas aulas e algumas anotações no seu caderno.

O Senhor Taylor-Johnson foi buscar sua filha que entrou no carro sem dizer nada.

— Tá tudo bem, Gio? — perguntou Thelonious preocupado.

A menor assentiu, mas seu pai sabia que havia algo de errado e se virou para ela.

— Pode dizer, minha filha! Não tenha medo.

A pequena apertou a barra de seu vestido com medo.

— É que o professor disse que quer lhe ver amanhã. — algumas lágrimas escorriam de seu rosto. — Desculpa, papai. Eu não queria atrapalhar o seu trabalho.

O homem limpou as lágrimas de sua filha com um lenço que tirou de suas roupas.

— Filha, por que você começou a sentir medo de mim? Você não era assim antes.

Ainda soluçando, a criança tentava buscar o ar para falar.

— É que… É que o senhor… É que o senhor anda muito estressado com o trabalho. Eu escutei quando você quebrou parte da louça por quase ter dormido na cozinha.

— Então não é medo, é só preocupação?

Giovanna assentia.

O carro seguiu seu caminho, mas o pai sabia que tinha que fazer algo.

A menina viu que o carro estava indo na direção contrária a de sua casa.

— Papai, não vamos para casa?

— Pensei em sairmos para nos distrair, nós dois não estamos nos nossos melhores dias. Então, que tal irmos ao cinema hoje?

— Siiim!!! — a pequena deu um grito de alegria.

Gio não tinha mais porque ficar triste, e seu pai sorria por vê-la feliz novamente .

Thelonious trabalhava tanto para sua filha ter uma boa vida que as vezes esquecia que ela era apenas uma criança com necessidades e desejos infantis.


~Fim do Capítulo 2~


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