As Malditas Terras de Santa Cruz: Capítulo 1 - Acordo Selado
- kerberuspublishero
- 6 de fev.
- 5 min de leitura
Georgius
Distrito Belas Flores, RB, Santa Cruz
Bar Mithra
Próximo às 22:00
Entre as ruas e vielas da parte pobre do Distrito Belas Flores circulava um homem completamente destoante do local em questão. Enquanto nas ruas se encontravam mendigos, marginais e prostitutas, o homem utilizava um terno bem cuidado e possuía um cabelo loiro recém cortado. Ele estranhamente utilizava um óculos escuro mesmo estando de noite.
Após transitar pela região mais movimentada da parte pobre, ele parou diante de um bar com luzes neon em sua fachada. Acima da porta, um letreiro escrito Mithra. Obviamente, o homem estranhou aquele lugar ter o nome de um deus persa, mas ele sabia que estava no lugar certo para encontrar aquele que procurava.
Quando entrou, todos olharam para o homem. Ele não era bem-vindo ali, os da laia dele sempre arranjavam problemas.
Dentro do bar, um balcão de madeira com uma bartender neo-terráquea que não parecia ser cem por cento santacruzense: olhos puxados e cabelo liso escuro. Sua roupa não era nada mais do que uma roupa típica de alguém de sua profissão, atrás dela ficava uma prateleira com as mais diversas bebidas. Espalhados entre as mesas de madeira estavam homens e mulheres das mais variadas espécies soerguis, claro que os mais comuns lá eram neo-terráqueos, mas entre eles haviam pessoas esverdeadas com antenas, outros com peles indo do roxo ao rosa e pequenos tentáculos em suas cabeças, e até mesmo lá tinham alguns com uma carcaça de ossos em seus corpos emitindo um cheiro pútrido.
Com passos cautelosos e olhar atento para uma possível represália, passou pelos olhares de um a um presente no bar. Ele olhou para uma área mais bem cuidada onde estavam alguns homens e poucas mulheres e para lá ele foi. Uma pessoa normal ali, saberia bem que antes de se direcionar àquele homem seria de bom tom primeiro falar com a bartender.
Quanto mais ele se aproximava do homem, mais os olhares aumentavam e as coisas só pioravam, alguns faziam menção de se levantar.
O visitante indesejado parou e esperou alguma permissão.
Agora mais perto, ele tinha certeza que estava diante da pessoa certa. íris amarelada, cabelos longos escuros como o breu da noite e a tatuagem estilizada de dragão em seu peito deixavam evidente que era ele.
— Georgius? — perguntou o homem de terno, tendo certeza que era o homem certo.
O questionado, fez menção para que os ânimos se acalmem.
Sem parar de degustar sua bebida, Georgius lançou:
— O que o traz aqui? Se queria um assassino de aluguel qualquer, está no lugar errado. Devia ter ido ao Santuário.
— Não, não. Eu estou no lugar certo, só você pode cumprir esse serviço.
O marcado se ergueu e passou pelos seus companheiros até se aproximar do homem de terno.
— Desembucha! O que você quer? — falou o de tatuagem de dragão enquanto aproximava seu rosto do engravatado a uma distância desconfortável.
O loiro tirou de sua roupa uma pasta e a entregou para o rabiscado.
— Papel? Cê é da velha guarda. Essa galera até hoje não se adaptou cem por cento às novas tecnologias.
— Papel não pode ser rastreado! — afirmou o visitante indesejado.
— Mas o mensageiro pode ser interceptado! Se fosse você, investiria em um cabo de rede neural da Miru Tech.
O de cabelos negros leu o conteúdo da pasta e a fechou.
— Cê quer que eu dê cabo do seu chefe, Timóteo Tranca-Rua? — o engravatado retirou seu óculos escuro com um sorriso no rosto. — Sim, eu sei quem você é!
— Se sabe quem eu sou, sabe que eu pagarei bem. E hoje em dia poucos se atrevem a me chamar assim. Eu se fosse você me chamaria apenas de Timothy Brownson. — declarou em tom intimidador, porém ainda calmo.
Georgius se aproximou de Timothy.
— Isso é uma ameaça? Você não está em condições de exigir nada! — exclamou Georgius de maneira insolente.
— Entenda como quiser. Fará ou não o serviço?
O marcado deixou a pasta em cima da mesa.
— Não se preocupe, eu cuidarei dele. Mas precisarei de tempo para estudar a rotina dele e tentar pegá-lo desprevenido.
— Só leia o documento! Eu reuni tudo que será necessário. — ordenou o engravatado como se quisesse sair dali o quanto antes.
Brownson fez menção de deixar o local, porém teve sua atenção chamada.
— Ei, ei. Que que cê tá fazendo? Tá esquecendo de nada não?
O loiro virou apenas a sua cabeça para ouvir o que seu contratado tinha a lhe dizer.
— A grana. Passa! — Mandou o marcado
O loiro virou-se e retornou até o rabiscado.
— Tá achando que aqui é baderna? Nem relógio trabalha de graça. — falou Georgius para o sem noção.
— Peço perdão, havia esquecido disso. Me passa teu ID. — disse o engravatado enquanto passava a mão no nada.
Georgius balançou a cabeça em negação enquanto olhava para o chão.
— Tá achando que eu sou trouxa? Transferência wireless deixa rastro. Você tem certeza que sabe o que está fazendo? — Questionou esperando uma resposta que ele já sabia qual era, o cara não passava de um inexperiente.
O de cabelos enegrecidos pegou um cabo que estava sendo segurado por um dos seus colegas.
— Esse é um dos cabos de rede neural da Miru Tech que mencionei. Vai dar certo, não se preocupe.
Georgius conectou um dos lados do cabo atrás da sua orelha e estendeu para o seu contratante conectar no chip neural dele e ele assim o fez.
Após alguns segundos e a execução de alguns gestos de mão no ar, a transferência foi concluída.
— Tá feito. Já posso ir embora? — questionou Brownson de maneira apressada.
— Fica à vontade. — respondeu o marcado com um sorriso satisfeito.
O engravatado deixou o bar.
E o rabiscado se sentou para terminar sua cerveja.
— Chefia, cê acha que esse cara é confiável? — questionou um dos homens na mesa com o contratado.
— Nem um pouco. Isso cheira a merda. Mas serviço é serviço. — deixou claro o de olhos amarelados enquanto virava sua bebida.
— Virou um maestro agora, Georgius? — disse um dos amigos.
Os presentes na mesa riram um pouco, mas logo o marcado se levantou e deixou a mesa.
— Não precisa ser um maestro para saber que matar um corporativo vai me causar problemas.
O contratado foi em direção até a saída, mas não antes de dizer:
— Bibi, o Sandro vai pagar a conta. Não se esqueça de cobrar ele.
— Ei, mas por que eu tenho que pagar a conta? Vocês gastaram um absurdo aqui e eu mal bebi. — questionou Sandro depois de ser pego de surpresa.
— Você tá me devendo uma. Tive que limpar a sua barra com a polícia. Nada mais justo. — respondeu o rabiscado com um olhar sério.
Os outros que permaneceram na mesa riram do seu colega que teria que pagar tudo. E enquanto isso, Georgius saía pela porta da frente para dar continuidade a mais um serviço.
~Fim do Capítulo 1~
Ameii. Bom trabalho!!
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