Capítulo 3 - Incidente Além do Precedente
- kerberuspublishero
- há 2 dias
- 16 min de leitura

Super 10 - Após o incidente passado
Todos no Super 10 estavam em choque, uma jovem acidentada e uma delinquente à solta. Mas nenhum deles estava pronto para o que viria adiante.
Melody estava caída no chão e Solane olhando para ela sem reação, enquanto Quézia olhava para suas mãos buscando entender o que tinha acabado de fazer.
Lentamente a cabeça de Sol se mexia na direção da saltadora de uma maneira perturbadora. Seus olhos eram negros como a escuridão do espaço, pareciam devorar cada fagulha de luz que tentava tocá-los. Seus cabelos enegrecidos se erguiam como se tivessem vida e do chão levantavam-se enormes tentáculos de sombras, rapidamente um deles se enroscava no pescoço de Quézia e o apertava com tamanha força que ela mal conseguia controlar sua respiração para se teleportar para longe dali.
Um sorriso doentio se formava no rosto da repetente. E a mesma voz ardilosa e envolvente tomava o controle de sua fala:
— Que divertido, não acha? Achou que machucaria a minha amiguinha e sairia ilesa dessa?
Quézia lutava pela sua vida tentando se soltar do tentáculo, porém inutilmente.
A portadora da escuridão brincou com o corpo de Quézia, sacudindo de um lado para o outro para no fim arremessá-la contra a outra ponta do corredor, mas não sem antes dizer:
— Que tal brincarmos? Balas trocadas não doem! — gritou Sol com a voz desconhecida.
A mascarada tentava se arrastar para longe dali enquanto Solane caminhava lentamente em sua direção sorrindo como se estivesse se divertindo com tudo aquilo.
Todos que antes assistiam aquilo, agora corriam desesperados tentando fugir pelas suas vidas. Entretanto, alguns sabiam que aquilo era um sinal para tomar a iniciativa e proteger os que estavam ali.
Não tão distante da confusão, no setor desportivo, o trio de atletas viam todos correndo com medo sem entender absolutamente nada.
Leonardo se levantava em meio a tudo aquilo e buscava saber o que tinha ocorrido, mas em vão, já que ninguém era louco de parar. O máximo que faziam era gritar “Fujam!”.
Daraly pelo contrário manteve a cabeça no lugar e analisou a situação buscando a melhor das soluções.
— My friends, temos um problema! — declarou com seriedade enquanto corria seus olhos por tudo que estava a seu redor.
— Estamos vendo. Temos que correr daqui! — exclamou Pedrinho em choque.
O dellyblu sorriu de canto de boca e deixou claro o que teriam que fazer:
— Fugir?! Não, man. Temos que conter a ameaça. Somos cadetes, é a nossa chance. Vamos logo, me sigam!
Matheus se animou e o acompanhou imediatamente, porém Pedrinho estava relutante, ele não sabia se era o certo, mas ele sabia que não poderia deixar seu primo sozinho nessa.
Vendo os amigos correrem na direção do perigo, Leonardo gritou em vão:
— MENINOS, VOLTEM!
Juliana estava assustada e temia pela sua filha, mas sabia que nada tinha a fazer. Ela agarrava Rosinha e a impedia de ver tudo aquilo. Luciane temia o pior.
— Dona Ana, tira a Rosinha daqui. Pode deixar que eu vou ajudar a Quézia! Vai, anda! — mesmo sem saber ao certo como ajudar, Luh sabia que não poderia ficar ali parada.
Juliana estava tomada por temor, mas a confiou nos ombros da ruína.
Tirando de seu bolso algumas miçangas, as fechando em suas mãos e levando-as ao seu rosto em seguida, a ruína mesmo com medo fazia um esforço para controlar sua respiração. Puxou o ar com calma e o soltou, repetiu e na terceira vez, de suas mão saía uma luminescência amarelada, as miçangas estavam energizadas.
Ela correu velozmente para perto de sua amiga e as arremessou na direção da portadora das sombras que estava descontrolada, Luciane mal sabia que estava a cometer seu maior erro.
Um dos tentáculos enegrecidos parou as miçangas, porém ao comando da ruína elas explodiram em um gás esverdeado.
Já próxima de sua amiga, ela buscava acalmá-la.
— Queque, você está bem?
Quézia buscava o ar inutilmente, ela não estava mais conseguindo respirar com perfeição.
O trio de desportistas chegava ao epicentro da confusão, ao chegar, Daraly lia a cena à sua frente com atenção.
O gás se dispersava e eles viam a cena assustadora, mas com algo diferente, Solane estava cabisbaixa e sendo erguida pelas sombras que agora estavam ainda maiores e mais descontroladas. Elas só tinham um objetivo: pegar as jovens e matá-las.
— My friends, temos que ajudar aquelas meninas, se não elas morrerão. Vamos logo!
Matheus pensava no que fazer, porém inutilmente, ele estava paralisado pelo calor do momento, entretanto, Pedrinho corria e de seu bolso da calça tirava algumas bolinhas metalizadas e as arremessava na direção de Sol, mesmo que os tentáculos buscassem defendê-la, machucar não era o seu objetivo, pois se fosse, essa teria doído, já que a estante atrás dela desabou com o impacto.
— Man, esse foi um verdadeiro divine throw. — elogiou o dellyblu.
Pedrinho sorria e o respondia:
— Eu tenho um braço bem forte.
— Percebi! Consegue continuar com isso? Vou correr lá para ajudar as meninas.
Pedrinho concordava e suprimia os avanços da portadora da escuridão.
Draugr chegava até as amigas e tentava entender tudo aquilo.
— Girls, estão bem? Que que houve? — ao perceber Quézia sem ar, Daraly sabia o que fazer e não era enchê-las de perguntas — Vamos sair daqui, rápido.
O dellyblu erguia a saltadora e corria para longe dali com ela em seu colo.
Já seguros, Daraly buscava compreender o que houve.
— O que aconteceu? Por que aquela menina está querendo machucar vocês?
— Eu não sei direito, minha amiga sem querer se meteu nessa confusão. Ela bateu na amiga dela e a garota do nada se tornou naquela coisa descontrolada.
Luciane via ao longe Pedrinho arremessando alguns produtos do mercado com força e Matheus correndo rápido para retardar o avanço dela com distrações como dava.
— Eu fiz o que pude. Eu joguei um gás sonífero nela, mas ela continua atacando e parece que ela está ainda mais forte.
— Damn, acho que sei o que houve, mas preciso de informação. Volto já! — avisava Daraly voltando para a confusão.
Em meio a tudo aquilo, alguns esqueciam que por trás daqueles tentáculos de sombra estava Melody desacordada e Valentim tentando acordá-la.
— Mel! Mel! Acorda, Mel! Temos que sair daqui agora!
Inutilmente Valentim tentava acordar sua amiga e mesmo sendo fraco fisicamente, ele tentava tirá-la dali a arrastando.
Já um pouco longe, Valen dava alguns tapinhas mais fortes no rosto de Mel até ela acordar.
— Que que foi, Valen? Dá para parar de me bater? E por que minha cabeça não para de doer?
Mel tinha tantas perguntas, mas não recebeu nenhuma resposta. Pelo contrário, a barulheira a fez se virar e ver tamanha confusão.
— SOOOL!!! — gritou amedrontada a maestra. — Temos que ajudá-la, Valen.
— Tá doida, menina? Ela não precisa de ajuda, ela está destruindo tudo aqui, temos é que sair daqui. — a respondia aos gritos tentando tirá-la dali. — Vem comigo, Mel! Não temos tempo, ela vai nos matar.
A contragosto, Melody se afastava de sua amiga. Os dois davam a volta para chegar até Quézia e Luciane e se afastarem da saraivada de arremessos de Pedrinho que parecia incansável.
Daraly os encontrava e os levavam para o lugar seguro.
— Vocês estão bem? — perguntava Valentim vendo tudo aquilo.
— Tá tudo certo com a gente, mas temos que parar a amiga de vocês, ou todos morreremos!?
Draugr tinha uma única pergunta a ser feita para desvendar o mistério que pairava em sua mente.
— A amiga de vocês é uma assombrada, não é? — questionava sério e de maneira inquisitiva.
— Ela é sim, por quê? — respondia Valentim sem saber ao certo no que isso ajudaria.
— Damn. Menina das bombinhas, você fez merda. Você botou o cavalo pra dormir, agora o espírito deve ter se apossado por completo do corpo. — dizia Daraly pensativo sobre o que fazer. — São amigos, não são? Qual o grau dela?
Valentim deixava Melody sentada próximo das duas amigas e respondia:
— Ela é uma assombrada de grau 1. Ela até hoje não despertou sua segunda categoria.
Indignado e sentindo uma possível falácia, o dellyblu elevava a voz:
— Pare de mentira. Nos ajude a detê-la. Não é possível que isso seja verdade. Ela nunca conseguiria isso sendo apenas uma grau 1.
— Mas essa é a verdade! Eu não estou mentindo! — respondeu Valentim em um tom igualmente elevado
Melody já recobrando a consciência, porém com dor, falava:
— Parem de gritar. Minha cabeça está doendo. Ele não está mentindo.
— Tudo bem, vou acreditar, mas não muda o fato de que precisamos de mais informações, aquilo ali não é normal.
Daraly sem saber o que fazer, buscou conhecer mais de todos.
— Bom, temos que fazer algo em relação à amiga de vocês, então sejam rápidos e me digam seus nomes e o que sabem fazer, temos que pensar em uma estratégia, entenderam?
Todos concordavam, mesmo aqueles quase desmaiados de dor.
— Meu nome é Daraly, mas podem me chamar só de Deo. Sou forte e sou bem inteligente.
— Meu nome é Valentim, e eu dou vida aos meus desenhos.
— Sou Luciane e consigo energizar objetos pequenos e torná-los bombas com efeitos diversos.
As ainda debilitadas buscavam força para responder da melhor maneira possível.
— Sou Melody e consigo produzir diversos efeitos com o som. Elevar minha voz projetá-la, coisas assim.
Quézia se ajeitava na parede
— Eu sou Quézia e me teleporto para qualquer lugar que eu possa ver.
Deo olhava para os que suprimiam a portadora da escuridão e berrava para eles.
— Que que vocês sabem fazer, digam rápido.
Pedrinho saltava e arremessava um fardo de comida.
— Me chamo Pedro e eu tenho um arremesso forte no meu braço direito.
Matheus corria até o grupo para respondê-los e falava bem ligeiro.
— Sou Matheus e eu corro rápido.
— O que vamos fazer, Deo? — perguntou Pedrinho ofegante por já estar cansado.
O dellyblu andava aparentemente sem rumo como se estivesse ignorando a todos.
— Eu não sei vocês, mas irei beber água, já, já eu volto.
Todos tentavam entender a fuga sem sentido de Draugr, enquanto tomavam medidas paliativas para lidar com Solane, cada qual à sua maneira.
Matheus continuou atrás de seu novo amigo, pois não acreditava que ele iria desistir depois de tudo.
Até o colosso aquático parar de frente a um garrafão de 20 litros de água.
— Era disso que eu precisava. — dizia o dellyblu sorrindo.
Daraly arrancava a tampa do garrafão com força e o virava com tudo em sua boca. Ele bebia vorazmente quase sem derramar uma gota de água. Sua boca era tamanha que cobria todo o buraco da tampa.
Teteu estranhava e buscava algum sentido naquilo.
Draugr terminou de beber e arrotou bem alto.
Matheus fazia uma feição como se tivesse sentido um cheiro bem desagradável.
— Que que você comeu, Deo? Peixe podre? — o ruína sacudia sua mão para afastar o mau cheiro.
— Sorry, man. Meu almoço foi um sushi de peixe-bala que não estava muito bom não.
O dellyblu limpou sua boca. E fechou seus olhos, para em seguida os abrir, eles não mais possuíam sua íris esbranquiçadas, seus olhos agora eram de um tom de azul fluorescente que se moviam extremamente rápido como se buscassem algo no ambiente.
— Tá tudo bem, Deo? Seus olhos…
— Relax, my friend. — Daraly começava a andar de volta para o grupo. — Só faz silêncio, estou bolando um plano.
Já de volta ao grupo e depois te ter repassado o que planejou. Deo buscava liderar a operação.
— Todos entenderam o plano? — perguntou Deo em alto e bom tom.
E todos responderam a altura:
— SIM!
Após ouvir a resposta, Daraly se voltou para Matheus:
— De quanto tempo você precisa? Fala rápido!
De momento, o ruína não sabia ao certo, mas sabia que eles não teriam tempo.
— Tem como me dar um minuto? Acho que é o bastante. — respondeu de supetão.
Os olhos de Draugr se moviam rápido e ele respondia de imediato:
— Tudo bem. Só um minuto!
Todos olhavam para a força imparável que se movia em sua direção. Solane estava descontrolada.
— Não temos mais tempo de papo. Então, run, Matt, run! — berrou Daraly e todos dispersaram para as suas posições.
Super 10 - Pondo a operação em prática
Matheus foi o primeiro a se mobilizar, ele dava várias voltas pelo mercado para acumular energia cinética. Seguido por Pedrinho que iniciava sua onda de arremessos consecutivos de bolinhas de gude feitas de aço.
Valentim tirava de um de seus bolsos um papel todo amassado com o desenho de um touro e animava ele. O touro saía desenfreado na direção de Solane que usava dois tentáculos para segurar seus chifres e o arremessa na direção dos disparos de bolinhas de aço. O touro se desfazia em tinta ao se chocar com o chão à frente do titânico que saltava com tudo para trás.
O ruína parava de correr preocupado com seu primo.
— Tá tudo bem, Teteu. Não para de correr por nada!
Matheus voltava a dar voltas pela região para retomar o ritmo.
Luciane energizava suas miçangas e as arremessava, porém dessa vez quando os tentáculos tentavam pará-las, as miçangas explodiam ao comando da ruína. O tentáculo segurava como podia a explosão, mas se desfazia em uma lama escurecida que se fundia com o chão como um piche.
Um dos tentáculos corria na direção de Luciane, porém a saraivada de bolinhas de gude de Pedrinho o interceptou e o fez mudar de direção. Possibilitando que ela se afastasse.
— Deo, eu preciso de uma abertura para jogar as bombas de fumaça. — avisava Luh.
Daraly erguia uma das prateleiras e a arremessava com tamanha força que fazia dois tentáculos se erguerem para segurá-la. Aproveitando a brecha, Luciane arremessava miçangas imbuídas em energia que ao seu comando explodiam em uma cortina de fumaça.
Melody utilizando do momento de investida, começou a emitir barulhos de passos e vozes por todos os cantos aos arredores de sua amiga, deixando-a desnorteada.
Solane olhava para todos os lados em meio a fumaça e aos sons buscando encontrar os seus alvos, porém, sem sucesso. As bolas de gude de aço varavam a fumaça e atingiam sua pele.
Em um momento de medo e terror, um dos tentáculos atravessou a nuvem de fumaça e atingiu o disparador de bolinhas, o arremessando para longe.
Pedrinho estava indo em direção a se chocar com uma prateleira com muita velocidade, porém ao longe, Quézia o enxergava, ela tentava buscar o máximo de ar que podia para utilizar de sua numina. Ela se erguia com esforço, cerrava os olhos e abria uma fenda no espaço para atravessar, percorrendo um buraco de minhoca, a saltadora chegou até o arremessado, o agarrou e percorreu o caminho de volta às pressas.
Retornando ao mesmo local com o titânico, porém agora sem ar e levando a mão a boca a mascarada estava enfim segura com seu aliado.
— Caramba, cê é ligeira, hein, menina. — Pedrinho olhava para um lado e para o outro. — Prazer, me chamo Pedrinho.
— Eu sei, meu nome é Qué…
Antes de completar a sua frase, a saltadora começou a vomitar.
— Ei, cê tá bem? — perguntou Pedrinho preocupado.
— Tá tudo certo. Só fiquei enjoada. Já, já, passa.
Não tão longe dali, o restante do grupo suprimia os avanços da assombrada. Enquanto Matheus buscava uma brecha para seu ataque. Ele só tinha uma chance.
Dando voltas e mais voltas ao redor de Solane que enlouquecia pelos sons e pela fumaça, Matheus procurava o momento certo de atacar. O ruína tentou atacar pelo flanco esquerdo da assombrada, porém ao se aproximar, um tentáculo acertou o chão a sua frente, rapidamente ele esquivou e subiu nele e acelerou o passo. Ao trespassar a fumaça, Teteu canalizou toda a energia cinética que fluía pelo seu corpo para o seu braço direito e fluiu ainda mais para a sua mão para ao se chocar com o rosto de Sol, a arremessar com tamanha força que ela voou por todo o mercado e destruiu uma das paredes.
A fumaça se dispersou e um silêncio tomou o Super 10. Até ser quebrado pela voz de Deo:
— Tá todo mundo bem?
Aos poucos, cada um foi respondendo, porém nada de Matheus.
— Teteu? Primo? Cê tá bem?
Ofegante e desnorteado, saía o ruína dos destroços:
— Tô sim… Só me dá um tempo… Preciso respirar. — procurando ar e se apoiando em uma prateleira — Nunca corri tanto assim, Jesus.
Departamento de Segurança e Contenção de Risco
Em meio a um escritório estava um homem de pele esverdeada e longos tentáculos na cabeça que seguravam alguns tablets holográficos, ele passava os olhos rapidamente sobre vários deles, enquanto outros tentáculos eram usados para passar as páginas.
Quando de repente a porta se abriu.
Um homem adentrou a sala às pressas enquanto o achita não deu tanta bola:
— Senhor, temos um problema, alguns dos novos cadetes se envolveram em um incidente público dentro do Super 10.
O homem parou tudo para dar atenção ao invasor.
— O que eles fizeram? — perguntou em tom sério.
— Não sei ao certo, mas aparentemente, oito deles se envolveram em uma briga.
Levando a mão ao rosto e apertando entre os olhos, o diretor do departamento decidiu tomar uma atitude extrema.
— Convoque o Faustino e mande-o tomar uma atitude disciplinar para punir esses baderneiros. — berrou o achita batendo na mesa.
— Sim, senhor! — confirmou o homem fechando a porta imediatamente.
Delegacia para crimes especiais - Sala de contenção
A porta da sala de contenção era aberta e uma voz familiar era ouvida:
— Ai, ai. Para de me empurrar!
— Entra aí! — ordenava um guarda empurrando Solane para dentro da sala
Sol olhava mal-encarada para o policial.
Dentro da sala a assombrada era recepcionada por seu amigos
— Sol, você está bem?
— Tô, tô. Só minha cabeça que não para de doer. — Solane levava a sua mão a sua cabeça. — E eu estou com uma dor forte no meu rosto, algo me diz que vai ficar roxo. — a expressão de dor era evidente. — Todo dia é um 7x1!
Melody buscava palavras para não deixar sua amiga estressada.
— É porque você levou um soco bem forte na cara, Sol.
— Quê? Quem que teve coragem? Me fala que eu bato de volta! — Falava a assombrada com sangue nos olhos.
Valen deu um peteleco em sua amiga. Que tentava entender o motivo.
— Tá louco, Valentim? Por que você fez isso?
— Hello! Sol, você quase matou todo mundo que tá aqui. — tentava trazer sua amiga para a realidade.
Solane olhava para todos lá que olhavam feio para ela e com medo de tudo que aconteceu.
— Gente, que que aconteceu? Eu não tô entendendo nada. — o terror no olhar de todos trouxe ainda mais medo para a jovem assombrada.
— Amiga, você destruiu tudo no Super 10, quase matou alguns dos que estão aqui, e tivemos que nos unir para te derrubar. Você estava descontrolada! — Melody falava sempre buscando as melhores palavras para não acabar com sua amiga.
A assombrada sentia-se quase que um monstro, mesmo sem saber o que havia acontecido, ela sabia que esse olhar não indicava coisa boa.
Ela sentia medo mais do que não sabia que tinha feito do que dos olhares de julgamento. E queria sair dali o quanto antes.
— Tá, gente. Me desculpem por bater em vocês um pouquinho, eu não sabia o que estava fazendo. — era evidente na voz de Solane que as desculpas não eram genuínas.
Sol esperava que tudo aquilo acabasse logo, mas nenhum sinal havia sido percebido. E Quézia não gostou nadinha do que a assombrada estava fazendo.
— Para de falsidade, sua maluca.
Os olhares de Solane se voltavam para a saltadora e buscava se lembrar quem era ela, e logo conseguiu isso.
— Pera aí. Eu te conheço. Isso tudo é culpa sua, foi você que me bateu, não foi? Você vai se ver comigo!
À passos raivosos Sol se aproximava. E eram respondidos à altura.
— Deixa de ser doida, você que me bateu, quase me matou e que nos fez parar aqui.
Uma voz podia ser ouvida pelo alto-falante da sala.
— Parem de brigar, vocês só estão piorando as coisas.
Algo em Solane dizia que aquela voz era familiar.
— Essa maldita voz de novo não. Jurava que tinha me livrado daquele velho.
A porta da sala se abria mais uma vez, e dessa vez entrava um homem de jaleco e calça branca com cabelo grisalho e um rosto cheio de rugas e cansado.
— Oi, Fumaça. — dizia Sol com uma voz cansada e que sabia que logo viria problema. — Libera a gente aí, vai! — a assombrada forjava um falso sorriso que logo cairia por terra.
— Não. — respondia o de jaleco com seriedade — Sua imunidade diplomática não vai funcionar, Senhorita Villalobos. Agora vai para os seus amigos e escute!
Solane se unia aos seus amigos e quase cada um em um canto da sala esperavam a longa bronca que viria.
— Vocês têm ideia do que fizeram?! Vocês são cadetes da federação, a missão de vocês é trazer a paz! Lutar as guerras para que os cidadãos de bem possam fingir que o mundo é seguro e encostarem a cabeça no travesseiro e ter uma boa noite de sono.
Todos ficaram em silêncio, alguns inclusive abaixaram as suas cabeças por culpa.
— Agora me digam! Vocês cumpriram essa missão hoje?! — dizia o homem quase gritando.
Nada era dito pelos jovens.
— Fiquem aqui, vou ver o que posso fazer, mas não esperem grandes coisas.
Já do lado de fora, o senhor coçava sua cabeça e suspirava pesadamente.
— O que vamos fazer, Doutor Faustino? — questionou um dos policiais.
— Eu não sei. Me faz um favor, me mostra as gravações do que houve.
Após ver todo o ocorrido, algo mudou no professor. Ele não estava mais bravo, mas sim, interessado.
— Doutor Faustino, o que você fará com eles? Vai expulsá-los da academia?
— Não! Tenho outros planos para eles. Já sei o que vou fazer. Ninguém mandou me darem plenos poderes para decidir o que fazer com eles.
A porta se abria novamente e o mais velho entrou na sala mais uma vez.
— Vai nos liberar? — o ânimo na voz de Sol não era mais o mesmo, dessa vez era uma falsa animosidade.
— Vou sim, mas não de graça. — respondeu o professor.
— Vamos ser expulsos da academia? — perguntou Matheus sem esperanças de uma resposta positiva.
Faustino olhava e enxergava nele a culpa.
— Não, não vão, não se preocupem. — o professor acalmou os alunos. — O que vai acontecer é simples. Todos vocês sofrerão uma medida disciplinar. Vocês serão fichados e caso não concluam a academia em 3 anos, vocês serão presos por alguns anos.
O professor falava com calma e sem pressa, mas os alunos escutavam como se tivessem seu destino selado.
— Entretanto, caso vocês concluam a academia nesse período, vocês terão suas fichas limpas e não serão obrigados a seguir carreira.
Alguns se entreolharam, outros não sabiam como conseguiriam isso já que reprovação não é algo incomum na academia, por isso era dado 5 anos de prazo para se concluir antes de uma possível expulsão.
— Por hora é só. Agora saiam, vão para suas casas e se preparem, os próximos anos para vocês não serão nada fácil, e eu cuidarei exatamente para que não sejam.
Todos saíram meio cabisbaixos ou sem ânimo. A alegria daquela manhã não existia mais no semblante dos jovens.
Já do lado de fora da delegacia, Faustino mexia no ar através da sua realidade aumentada para fazer uma ligação.
— E aí, Faustino? Resolveu o problema? — questionou a voz do outro lado da linha em tom sério, mas sem perder sua calmaria e lentidão.
— Mais ou menos, Diretor Fangs. Faz um favor pra mim? — Malboro buscava as palavras certas para fazer seu pedido inusitado — Compra briga com DSCR! Não quero ter que dispensar esses talentos. Esses jovens têm futuro. Só precisam passar por um moedor de carne.
O diretor riu do outro lado da ligação.
— E é você que vai moê-los? — indagou ainda rindo e em um tom meio elevado.
— Tem alguém melhor pra isso? — retrucou a altura seriamente.
— Claro que não. Tá, eu vou dar um jeito. Vou botar a turma desses oito sob sua tutela, mas tu vai ficar me devendo uma, fica ligado. — a fala mansa de Elijah deixava o professor preocupado.
Faustino sabia que dever um favor para Fangs poderia lhe causar sérios problemas.
— Eu vou tá te fazendo um favor…
— Favor nada, Faustino. Você quer muito esses alunos na sua turma, e eu vou me lascar para justificar a permanência deles na academia. — largando um pouco a sua calma, o vikcan deixava claro que aquilo não seria fácil, e que ele cobraria caro por aquilo — E como bem sabe, nada é de graça, nem o pão, nem a cachaça. — retomando sua fala arrastada e típica de um malandro que chegou onde está sabendo bem comprar suas brigas
— Tá, tá, tudo bem. Faz isso pra mim que eu te devo uma! Vou desligar agora. — apressou-se para desligar, mas não sem antes, o diretor uivar de felicidade.
Faustino tirou um maço de cigarro de seu casaco e acendeu um deles, e em seguida seguiu seu rumo através das noites escuras de Alfa Luna.
~Fim do Capítulo 3~

Comentários